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“Aos olhos de Dória não sou gente”

Desabafo de servidor se deu na última reunião com representantes municipais de São Paulo que discutiu o reajuste ZERO que determina quarto ano sem atualização salarial.

Por Anderson Luna dia em Nossos Direitos e Conquistas

“Aos olhos de Dória não sou gente”
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Agência Trabalhador, 13/06/2017 – 10:00 h – São Paulo – Em reunião com representantes dos servidores municipais de São Paulo, o presidente nacional da OTB – Ordem dos Trabalhadores do Brasil, Anderson Luna, afirmou que é absurda a questão salarial na maior cidade da América Latina. Ao final da reunião, a entidade produziu uma nota sobre o assunto:

Segue na íntegra:

“Mais uma vez os servidores municipais são penalizados pelo mau gerenciamento das contas da cidade e vitimados por uma legislação obscena.

Alegando queda de arrecadação (porém sem deixar de contratar mais servidores) a Prefeitura de São Paulo novamente anuncia reajuste ZERO.

Apesar da solicitação por parte de entidades sindicais, a Prefeitura não apresentou contas que demonstrem que o teto foi atingido. Por outro lado, mesmo com aumento da arrecadação, a política de contratação constante, mantém o nível que o pagamento de salários ocupa dentro do orçamento municipal. É preciso, portanto, para garantir o mínimo – que seria a manutenção do poder de compra dos salários com a concessão do índice da inflação – que a adminstração parasse as contratações.

Esquecendo os anos anteriores, que somam mais de uma década de reajuste ZERO (desde o governo Marta com uma exceção em 2013, ao menos para os servidores de nível médio e básico que chegavam a ter salários abaixo do salário mínimo), o governo atual anunciou reajuste ZERO para 2016 e 2017.

Em 2016 o prefeito Haddad não deu nada. Nem ZERO. E, antes de sair publicou reajuste ZERO para 2014 e 2015.

Assim, são quatro anos com o mesmo salário. No mesmo período a inflação corroeu os salários:

Inflação acumulada -  IPCA
2017         4,76%
2016         6,29%
2015       10,67%
2014         6,41%
Total      28,13%
 

Só para comparar, o salário mínimo, nos últimos quatro anos, subiu 33,78%; segundo o Dieese, a cesta básica em São Paulo subiu, somente no último ano, 4,57%, a energia elétrica em São Paulo, somente em 2015 subiu 70,97% (fonte: agência Brasil); muitos outros reajustes podiam ser citados como os alugueis e combustíveis, todos iguais ou acima da inflação.

Uma pergunta aos dirigentes: como pode ser justo diante de um quadro inflacionário, simplesmente ignorar toda uma categoria de trabalhadores? De onde vem a coragem de sentar na cadeira e decretar reajuste zero? São trabalhadores tirando os filhos das escolas, são aposentados sem poder comprar seus remédios, são servidores que estão passando fome ou sendo despejados de suas casas por falta de pagamento dos alugueis.

É muito cruel.

As entidades, enfraquecidas por nunca vencerem este embate, fazem “exigências” que jamais serão atendidas por culpa dos próprios servidores que se mantém desunidos. Entre as “exigências” estão:

-O reajuste geral anual com base no IPC-FIPE, de 4,08%;

-a Retirada do SAMPAPREV;

-Não aceita discutir IPREM antes do final da proposta de Reforma da Previdência no Congresso Nacional;

-Auxílio-alimentação no valor de R$400,00 e vale-refeição de R$28,00 e,

-Participação em todos os fóruns de discussão e a continuidade das negociações com o governo.

 

É preciso que as entidades de classe se unam. Somente a união vai produzir a força necessária para mudar este quadro. “

 

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