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OTB e o desenvolvimento econômico

EDITORIAL - Entre tantas políticas públicas, nenhuma tem o poder de influenciar a vida de tantos quanto os investimentos em infraestrutura. O próximo governo tem que tomar providências urgentes neste sentido.

Por Anderson Luna dia em OTB no Brasil

OTB e o desenvolvimento econômico
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Agência Trabalhador, 25/10/2018, 10:00 h  - São Paulo

Alguns dizem que uma central sindical, como a OTB, não tem que pensar na atuação do governo e deve se restringir às questões das relações de trabalho.

Isto não é possível. O emprego que o filiado OTB tem está diretamente ligado aos ditames econômicos das equipes de Brasília e às decisões políticas. Em especial as políticas de infraestrutura.

Para explicar esta relação é preciso voltar ao Brasil do século XIX que era um pequeno produtor de café. As fazendas brasileiras tinham grande potencial de produção, mas foi somente com inauguração da Ferrovia Mauá em 1852 é que o país iniciou desenvolvimento que o levou a ser o maior produtor mundial de café no final do século XIX e início do século XX, o que nunca teria acontecido se as cargas de café continuassem a ser escoadas no lombo de mulas.

As ferrovias formaram a infraestrutura necessária ao desenvolvimento da agricultura cafeeira naquela época que possibilitou ao Brasil tornar-se uma das economias que mais cresciam no início do século XX.

Porém o investimento em infraestrutura nunca foi prioridade dos governos. Exemplo simples é nossa malha ferroviária que permanece mais ou menos a mesma do início do século passado. Nos anos 1970, o Brasil investia cerca de 5%do PIB em infraestrutura, hoje, mal chega aos 2%. Peru e Chile estão investindo acima de 4% e os países da Ásia investem mais de 10% do PIB anual. O Brasil investe menos que países com alto grau de desenvolvimento que já possuem infraestrutura de ótima qualidade.

Para ampliar os investimentos é preciso algumas mudanças nas políticas públicas. Já que os investimentos tem de vir do setor privado é preciso criar ambiente de regras estáveis além de promover estabilidade macroeconômica, redução de riscos aos investidores e elevação da rentabilidade destes projetos.

Discussões no CDPP – Centro de Debates de Políticas Públicas, mostraram a necessidade de melhorar o ambiente institucional, aprimorando as regras com que empresas se relacionam com o governo e entre si, as regras que regem investimentos e as regras de administração dos negócios. A flexibilização é imprescindível. Como está hoje, o governo não investe em infraestrutura e não permite que o setor privado invista.

Entretanto, não basta privatizar. Exemplos passados demonstram que privatizações viciadas mantém o controle do governo nos projetos. Como a maior parte do financiamento é público, geram-se condições para apadrinhamentos e indicações políticas que tem potencial de levar à corrupção como aconteceu na Petrobrás.

Outro ponto negativo da interferência pública é que o setor privado permanece retraído e, como financiamento majoritariamente público, o crédito livre não evoluí e as taxas de mercado não descem.

O país tem de estimular o financiamento privado, criando regras favoráveis e fornecer crédito às pesquisas científicas em tecnologia e inovação e às iniciativas de grande retorno social que dificilmente conseguiriam existir com investimento privado.

Assim como a educação, a infraestrutura pode ser determinante na vida de um individuo, de um cidadão. Basta imaginar a melhora da saúde em regiões onde foi implantada rede de saneamento básico, a melhora da qualidade de vida de quem não precisa mais levar horas em ônibus lotado para chegar ao trabalho ou do empresário que agiliza e rentabiliza sua empresa com um simples acesso à Internet banda larga.

Descobrir, debater e corrigir os motivos pelos quais o Brasil investe tão mal em infraestrutura, combater a corrupção e incentivar a competição privada são fundamentais para o crescimento econômico e para que exista justiça social.

 

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