OTB - Ordem dos Trabalhadores do Brasil        Sexta-Feira, 15 de Novembro de 2019

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Porque tantos seguem o duvidoso discurso de Bolsonaro

Artigo - Aderência vai muito além da polaridade direita x esquerda e não é "jabuticaba" brasileira. Foto: arquivo OTB

Por Paulo Campos dia em Nossos Direitos e Conquistas

Porque tantos seguem o duvidoso discurso de Bolsonaro
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Agência Trabalhador - São Paulo

ARTIGO - Além das divergências entre direita e esquerda, entre PT e PSL ou ala disso e ala daquilo, o crescimento do populismo não é exclusividade brasileira e tem representantes ao redor do globo.
Uma das principais motivações é o desequilíbrio de renda. É correto afirmar que, no geral, todo o planeta teve crescimento na renda, porém enquanto a imensa maioria – leia-se os pobres – tiveram aumento da renda da ordem de 94% de 2016 para 1980, a parcela bilionária da população, cerca de 0,001% das maiores rendas, cresceu 235%.
Um bilionário que tinha 1 bilhão de dólares de renda em 1980, hoje consegue ganhar 3,35 bilhões de dólares atualmente.

A renda anual da classe média cresceu apenas 43% nos últimos 40 anos.

Essa equação demonstra que a desigualdade interna nos países cresceu muito, especialmente nos países mais ricos do ocidente.

E o resultado deste fenômeno é que a classe média que está perdendo estatus termina por se render ao populismo. Na Europa, 1 em cada 8 trabalhadores tem renda inferior a 1100 libras (aproximadamente 5170 reais) que, se é um bom salário para os padrões brasileiros, na Inglaterra é insuficiente para uma vida digna.

Desde 2010, a Inglaterra vem cortando benefícios sociais. Foram, até agora, mais de 140 bilhões de reais que deixaram de atender aos necessitados. Nos EUA, a famosa classe média americana responsável pelo american way of life, encolheu 10% e essas pessoas não ascenderam. Estão no grupo dos mais pobres.

A situação é mais grave nos Estados Unidos onde não existe sistema público de saúde, as universidades são privadas (e formandos chegam ao mercado de trabalho já muito endividados) e os sindicatos, na prática, desapareceram.

Este cenário desolado elegeu Bolsonaros, além de aqui no Brasil, nos EUA, Rússia, Itália, Índia, Polônia, Filipinas Turquia e Hungria, isso para fazer uma lista dos principais países onde está acontecendo este fenômeno que tem alimentado o brexit na Inglaterra (que é o movimento que pede a saída do país do Euro). Alimenta também os “coletes amarelos” que tomaram as ruas da França e diversos movimentos de direita e extrema-direita. O combustível é a crescente insatisfação com a situação econômica e com os governos.

Na Europa as bandeiras desses grupos são, principalmente, a aversão a imigrantes, o protecionismo econômico e a descrença no multilateralismo. Expressões como “imigrantes roubam empregos” e “empresas chinesas levam empresários nacionais à falência” são comuns, enquanto a realidade tem demonstrado que, ao menos no Brasil, refugiados tem nível de escolaridade acima da média (cerca de 34% concluíram ensino superior) e não devem ser responsabilizados por perda de desempenho econômico.
Movimentos populistas vem fabricando narrativa de que todos problemas internos tem causas em outros países ou governos anteriores.

Para o cientista político Davi Soskice, a maneira de reverter o encolhimento da classe média e a concentração de renda dos (muito) mais ricos é uma maior atuação dos governos na economia, justamente o contrário do que pregam grandes players de tradição liberal como EUA e Reino Unido. Outro ponto de vista referendado pelo economista James Heckman defende que a única solução seria a educação e a forma seria investimento nas crianças de zero a 5 anos, já que as habilidades adquiridas nessa fase são maneira mais eficiente de distribuir renda do que programas de transferência.

Como se observa, o fenômeno está longe de ser simples e exclusividade brasileira. O recrudescimento da extrema-direita é resultado de uma classe média empobrecida lutando para retomar sua importância e, por ser expontânea, terá caminho para o equilíbrio longo e penoso.

Paulo Campos é vice-presidente nacional da
OTB – Ordem dos Trabalhadores do Brasil

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