OTB - Ordem dos Trabalhadores do Brasil        Quarta-Feira, 13 de Novembro de 2019

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Quando a ditadura bate na porta

Anúncio de Carlos Bolsonaro é mais importante do que aparenta. Foto: Flickr

Por Paulo Campos dia em OTB no Brasil

Quando a ditadura bate na porta
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por Paulo Campos – Vice-Presidente da OTB – Ordem dos Trabalhadores do Brasil


Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos... e se isso acontecer. Só vejo todo dia a roda girando emtorno do próprio eixo e os que sempre nos dominaram continuam nos dominando de jeitos diferentes”.

O anúncio, feito por Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro que, na prática é uma espécie de ministro do pai presidente, não deve ser desconsiderada, como pretendem vários integrantes do governo.
A proximidade com a alta cúpula e, mais que isso, a relação familiar direta, imbui o comentário de peso, já que certamente expressa a opinião da maior autoridade do país e deve ser tratado exatamente como o que é: a mais forte e mais explícita ameaça à democracia desde que o Brasil a reconquistou.


Aos discursos de ódio, seguem os crimes de ódio
Na história mundial são vários os exemplos de nações de embarcaram no caminho da destruição literal devido a atos que se seguiram à intensa campanha contra segmentos da sociedade, exatamente como se intensificado desde que iniciou o governo Bolsonaro.
Definir um governo como extremista não é difícil, já que, sempre que um governo ou mesmo uma religião prega o extermínio dos adversários, se caracteriza o extremismo. É sintetizado pela expressão: eu estou certo e todos os outros estão errados.
Desta certeza, advém os discursos que pregam certezas como as que foram proferidas indiscriminadamente e que já demonstravam o caráter belicoso de seu autor:
“O erro da ditadura foi torturar e não matar”;
“Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra...”;
“Eu sou favorável à tortura”;
“Através do voto você não vai mudar nada nesse país, nada, absolutamente nada!... Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem.”;
“A atual Constituição garante a intervenção das Forças Armadas para a manutenção da lei e da ordem. Sou a favor, sim, de uma ditadura, de um regime de exceção”;
“Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre. Vou botar esses picaretas para correr do Acre. Já que gosta tanto da Venezuela, essa turma tem que ir para lá”;
“Essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou vão para fora ou vão para a cadeia. Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria”;
“[O policial] entra, resolve o problema e, se matar 10, 15 ou 20, com 10 ou 30 tiros cada um, ele tem que ser condecorado, e não processado”;

Sobre o Massacre do Carandiru:
“Morreram poucos. A PM tinha que ter matado mil”

Sobre religião:
“Somos um país cristão. Não existe essa historinha de Estado laico, não. O Estado é cristão. Vamos fazer o Brasil para as maiorias. As minorias têm que se curvar às maiorias. As minorias se adequam ou simplesmente desaparecem”;

Sobre mulheres:
“Eu jamais ia estuprar você porque você não merece”;
“Por isso o cara paga menos para a mulher (porque ela engravida)”;
“Foram quatro homens. A quinta eu dei uma fraquejada, e veio uma mulher”;

Em relação aos homossexuais:
“Para mim é a morte. Digo mais: prefiro que morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí. Para mim ele vai ter morrido mesmo”;
“O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um couro, ele muda o comportamento dele. Tá certo?”;
“90% desses meninos adotados [por um casal gay] vão ser homossexuais e vão ser garotos de programa com toda certeza”;
“Não existe homofobia no Brasil. A maioria dos que morrem, 90% dos homossexuais que morrem, morre em locais de consumo de drogas, em local de prostituição, ou executado pelo próprio parceiro”;
“O cara vem pedir dinheiro para mim para ajudar os aidéticos. A maioria é por compartilhamento de seringa ou homossexualismo. Não vou ajudar porra nenhuma! Vou ajudar o garoto que é decente”;

Sobre indígenas:
“Ele devia ir comer um capim ali fora para manter as suas origens”:

Negros:
“Fui num quilombola [sic] em Eldorado Paulista. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Acho que nem para procriadores servem mais”;
“Quem usa cota, no meu entender, está assinando embaixo que é incompetente. Eu não entraria num avião pilotado por um cotista. Nem aceitaria ser operado por um médico cotista”;
“Isso não pode continuar existindo. Tudo é coitadismo. Coitado do negro, coitado da mulher, coitado do gay, coitado do nordestino, coitado do piauiense. Vamos acabar com isso”;

Imigrantes:
“A escória do mundo está chegando ao Brasil como se nós não tivéssemos problema demais para resolver”;

Direitos humanos:
“Se eu chegar lá, não vai ter dinheiro para ONG. Esses inúteis vão ter que trabalhar”

E até sobre benefícios que ele mesmo recebia como o auxílio-moradia: “Como eu estava solteiro na época, esse dinheiro do auxílio-moradia eu usava para comer gente”.

Para comparação, frazes de Benito Mussolini
“Dois caminhos se abriam: ou a paz da espada ou a paz de uma justiça aproximativa.”

“Pedimos plenos poderes porque queremos assumir plenas responsabilidades.”

“Não digam os democratas que o Fascismo não tem razão de ser aqui, por aqui não existir o bolchevismo.”

“O nosso programa é simples: queremos governar a Itália.”

“É necessário além do partido único, un Estado totalitário, isto é, um Estado que absorve para transformar e fortalecer todas as energias, todos os interesses, todas as esperanças de um povo.”

“Todos os partidos socialistas da Europa estão em farrapos. Não falo somente da Itália e da Alemanha, mas também de outros países.”

“Não é difícil governar a Itália. É inútil.”

“A liberdade é um cadáver putrefato”


Às portas da repressão

Juntando a frase de Carlos Bolsonaro – que, na prática é assinada pelo próprio presidente - Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos... a última frase de Benito Mussolini fica ressoando na cabeça.
Será que a parte da população que apoia Bolsonaro não tem consciência que não terão liberdade de expressar este tão veemente apoio nas agora livres redes socias caso se consolide este desejo de poder?
Desculpa ele já tem. A qualquer momento basta inventar que a esquerda está se movimentando para derrubá-lo (não precisa ser verdade) para que, em um arroubo de insanidade, o mito feche o congresso e coloque alguns tanques na porta do Palácio do Planato (isso se contar com apoio dos militares).
Neste repeteco da história, veículos jornalísticos e meios de comunicação são cerceados, justamente para evitar a organização da resistência e então, adeus Facebook, whatsapp e afins.
Enquanto é tempo, entidades representativas da população precisam, deputados e senadores precisam, toda a sociedade precisa expressar sua apreensão. Vivemos tempos complicados, nuvens negras estão no horizonte e cabe a cada um de nós lutar pela democracia.
A democracia é falha. É correto afirmar que pode ser manipulada por indivíduos de má índole em interesse próprio. Porém a corrupção não é exclusividade da democracia e permeia todo tipo de governo, da monarquia ao comunismo.
A questão é que a democracia é a mais justa maneira de equalizar direitos e permitir justeza de oportunidades aos cidadãos.
Somos brasileiros e cabe a cada um de nós zelar pela liberdade.
Nossa liberdade não é um cadáver putrefato.

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