Terra brasilis, unanimidade e a reforma
Particularidades brasileiras fazem com que a população aceite de maneira passiva os desmandos na política. Situação que pode acabar em violência.
Por Paulo Campos dia em Nossos Direitos e Conquistas
Há tempos tenho observado que o Brasil está polarizado e alguns poderão dizer que isso é obvio, basta ver os noticiários ou acessar o Facebook para perceber que, feito um “Tordesilhas” embaralhado, o país está dividido entre coxinhas e mortadelas.
Concordo que é fácil observar o que está acontecendo.
O problema é que, sem maioria definida (e não aceito provocações de quaisquer dos lados) não andamos e, embora a estagnação tenha dado sinais de algum movimento, a verdade é que empresários - cuja maioria apóia as reformas do governo - acreditando em ganhos com a diminuição dos direitos trabalhistas, começam a dar sinais de aumento nos investimentos.
Não acredite, pobre trabalhador, que estas mudanças propostas são para seu conforto. Claramente são medidas que restringem direitos, diminuindo o custo que as empresas tem com pessoal.
O resultado, em mercados desenvolvidos, seria aumento de produtividade, diminuição dos preços, geração de empregos, tudo que o governo alega que vai acontecer, porém... aqui é terra brasilis... e não teremos mudança alguma, nem aumento do nível de empregabilidade, nem aumento de competitividade dos produtos brasileiros no exterior e sim, aumento de lucro para os empresários.
Estes mesmos que estão tão felizes com a reforma trabalhista.
Partidarismos fora, é evidente a campanha para desmoralização do principal candidato de esquerda pelo time da direita. São ataques de todos os lados ao líder nas pesquisas. Tudo muito óbvio. Tudo exacerbando esta divisão em dois times que pode ter consequências graves.
Está certo que unanimidade não existe.
Mas o respeito à opinião alheia tem que existir.
E, temos visto, exemplos de falta de respeito.
Eu pergunto: como pode ser divulgado conteúdo de delação premiada?
Como jornalista, não posso ser leviano e ir publicando tudo que recebo. Tem que haver análise, tem que existir provas. Não é possível em jornalismo (que dirá em âmbito jurídico), publicar qualquer coisa baseado apenas em uma versão, ainda mais quando o divulgador tem interesses intrinsecamente ligados ao conteúdo do que está divulgado e mais ainda quando tudo demonstra estar ligado à agenda política.
Em qualquer país esta divulgação seria escandalosa.
Mas aqui é terra brasilis...