OTB - Ordem dos Trabalhadores do Brasil        Quarta-Feira, 20 de Novembro de 2019

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Transporte público funciona parcialmente em dia de paralisação

Manifestantes voltam às ruas do país. Foto: Nacho Doce/Reuters /Direitos Reservados

Por Paulo Campos dia em OTB no Brasil

Transporte público funciona parcialmente em dia de paralisação
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Agência Trabalhador - São Paulo e Rio de Janeiro
 
Diversas cidades brasileiras registram hoje (14) manifestações por mais recursos para a educação e contra as mudanças nas regras de aposentadoria. Convocada por centrais sindicais e outras entidades representativas de trabalhadores, a paralisação afeta, principalmente, o sistema de transporte público das cidades. De acordo com as centrais sindicais, estão previstos atos em mais de 300 cidades do país de 26 estados.

Brasília 
Desde o início da manhã de hoje (14), ônibus pararam de circular na capital do país. O Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans), autarquia responsável por controlar e avaliar o transporte público, estima que toda a categoria esteja paralisada. 

O Metrô-DF funciona de forma reduzida. Funcionários estão em greve há 46 dias. Uma liminar do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) obriga um percentual mínimo de trabalho. Segundo o Sinicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários do Distrito Federal (SindMetrô-DF), a decisão judicial está sendo respeitada. 

Em nota, a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) disse que o metrô funciona hoje até as 23h30, com 18 trens nos horários de pico, entre 16h45 e 19h30, e entre quatro e cinco trens nos demais horários. 

Transporte público funciona parcialmente em dia de paralisação
Rodoviária do Plano Piloto amanhece sem ônibus em dia de greve geral - Marcelo Camargo/Agência Brasil


As aulas nas escolas públicas também foram impactadas pela paralisação. Segundo o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), cerca de 70% dos professores aderiram ao movimento. Além da pauta nacional, contra a Reforma da Previdência e o contingenciamento feito no orçamento do Ministério da Educação (MEC), os professores do DF reivindicam uma série de pautas locais. Entre elas, a construção e reforma de escolas e o reajuste salarial de 37%. 

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação do DF disse que as aulas não ministradas durante a paralisação deverão ser repostas, em datas a serem definidas pelas direções das escolas. 

O Sindicato dos Bancários de Brasília decidiu, em assembleia ontem (13), aderir à paralisação. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em todo o país há "casos pontuais de não funcionamento de agências em função da greve".

A Federação ressalta que "existem canais alternativos para realização de operações bancárias à disposição dos clientes que usariam estes postos de atendimento. Internet banking, mobile banking, além de caixas eletrônicos podem ser utilizados para a maior parte das transações – como pagamento de contas, checagem de saldo e extrato, e transferências, por exemplo. Banco por telefone e correspondente também estão entre as alternativas de atendimento".

Na saúde pública não há paralisações, de acordo com a Secretaria de Saúde do DF.

São Paulo
O Metrô de São Paulo ficou parcialmente paralisado devido a adesão dos trabalhadores à greve contra a reforma da Previdência. A Linha 1 – Azul, funcionava na manhã de hoje (14) entre as estações Luz e Saúde, deixando a zona norte da cidade descoberta pelo serviço. A Linha 3 – Vermelha operava entre as estações Marechal Deodoro e Tatuapé, deixando sem o transporte parte da zona leste e impedindo a interligação dos ônibus e trens metropolitanos na Estação Barra Funda. A Linha 2 – Verde manteve a maior cobertura, circulando entre as Clínicas e o Alto do Ipiranga. O Monotrilho, Linha 15 Prata, foi completamente paralisado.

O Metrô afirmou, por nota, que caso o serviço não seja mantido com um mínimo de 80% de operação nos horários de pico, conforme estipulado em liminar judicial, os empregados poderão sofrer sanções. “Os trabalhadores serão penalizados caso a decisão não seja respeitada. O movimento político, contra a reforma da previdência, prejudica milhões de pessoas em São Paulo”, enfatizou o comunicado.

Parte do serviço de ônibus intermunicipais que atende a região metropolitana da capital também parou. De acordo com a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU), a greve afetou as linhas que atendem os municípios de Guarulhos, Arujá e Itaquaquecetuba, com a interrupção das atividades em sete empresas da região.

Os ônibus e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) funcionaram normalmente. Na quarta-feira (12), a Prefeitura de São Paulo havia obtido uma liminar na Justiça para impedir a adesão dos cobradores e motoristas à greve. As linhas Lilás e Amarela do Metrô, que são operadas por empresas privadas, também funcionaram normalmente.

A cidade também enfrentou manifestações em diversos pontos. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), os protestos interferiram na circulação das avenidas João Dias, na zona sul, na Francisco Matarazzo, na zona oeste, Dona Belmira Marin (zona sul), Santos Dummond (zona norte), Vinte e Três de Maio (centro) e no Elevado Costa e Silva, também no centro. Em alguns desses pontos foram feitas barricadas com pneus em chamas para impedir a passagem dos veículos.

Parte dos trabalhadores do sistema bancário também aderiu à paralisação. Com isso, agências em diversas partes da cidade amanheceram fechadas. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, afirma que a greve também atingiu centros administrativos do Banco do Brasil, Santander, Bradesco, Caixa Econômica e Itaú.

O secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, disse que apenas 16% dos passageiros que normalmente utilizam o metrô foram atendidos na manhã de hoje. De acordo com ele, houve grande adesão, especialmente dos operadores de trens. A falta de pessoal fez com que o sistema operasse apenas parcialmente e que a abertura das estações só fosse possível às 5h40.

Na rede de ensino, o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, informou que apenas 74 escolas ficaram completamente paralisadas na manhã de hoje e outros 101 estabelecimentos funcionaram parcialmente. A rede estadual conta com 5,4 mil escolas.

Rio de Janeiro
Duas rodovias foram ocupadas por manifestantes na capital fluminense. O principal protesto foi realizado pela manhã, na BR-101, na altura do município de Campos. A rodovia ficou totalmente fechada por quase três horas: das 5h às 7h46. A BR-040, que liga a capital à região serrana) ficou parcialmente fechada, na altura do quilômetro 113, próximo à Refinaria Duque de Caxias (Reduc), em Duque de Caxias.

Na capital, manifestantes fecharam parcialmente a Avenida Brasil, na altura do Caju, próximo ao centro. A polícia usou bombas de efeito moral para dispersar a multidão. O trânsito foi liberado pouco antes das 8h, causando engarrafamento com reflexos na zona norte e em Niterói. O trajeto pela ponte Rio-Niterói, que normalmente é feito em 20 minutos, chegou a mais de uma hora, no sentido Rio de Janeiro. Foram registrados protestos também em Niterói.

Metrô, trens da Supervia e ônibus funcionam normalmente até o momento.

Pouco depois das 18h, uma passeata marcou o dia de greve geral. Os manifestantes ocuparam a Avenida Presidente Vargas e foram em passeata à Central do Brasil. Portando faixas e cartazes com críticas à reforma da Previdência e contra o contingenciamento de recursos para a educação, estudantes, sindicalistas e trabalhadores gritavam palavras de ordem contra as mudanças propostas. O policiamento na região foi reforçado.

Quando os manifestantes chegaram em frente ao Comando Militar do Leste, houve o disparo de um foguete em direção ao prédio do comando. Em resposta, foram lançadas bombas de gás e efeito moral. O local estava cercado com grades, soldados da cavalaria e dois blindados. Policiais militares também lançaram bombas de gás para dispersar os manifestantes, que recuaram em direção à Avenida Rio Branco.

Região Sul
Manifestantes contrários à reforma da Previdência bloquearam totalmente os dois sentidos do Contorno Sul de Curitiba, das 7h às 9h. Outro bloqueio ocorreu na BR-476, em Araucária, nas imediações da Petrobras. Os manifestantes interromperam o trânsito na rodovia por cerca de uma hora.

Policiais rodoviários federais estiveram no dois locais para garantir a segurança dos motoristas.

A Brigada Militar do estado do Rio Grande do Sul estev em prontidão ao longo desta sexta-feira para manter a ordem pública e a segurança da população. A corporação informa que 76 pessoas foram presas em todo o Estado, sendo 54 pessoas em Porto Alegre, 10 em Pelotas, seis em Sapucaia, quatro em Canoas, uma em Alvorada e uma em Cachoeirinha.

Bolsonaro comenta greve
Durante um café da manhã com jornalistas hoje, o presidente Jair Bolsonaro foi perguntado sobre a greve. O presidente disse ver o movimento como algo natural. "[Vejo] com muita naturalidade. Quando resolvi me candidatar, sabia que ia passar por isso", disse. 

Sobre reforma da Previdência, alvo das paralisações de hoje, Bolsonaro voltou a defender a importância das mudanças nas regras da aposentadoria, sem as quais os empresários não terão "segurança para investir".  

Fonte: EBC

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